terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Fé e Obras não são opostas

Quando a gente fala de FÉ e OBRAS, as pessoas pensam que só existe um tipo de OBRAS e colocam todas no mesmo balaio.

Mas não é assim. Existem obras "da carne", obras "externas", que são os rituais fúteis. Por exemplo, crer na Salvação por obras fúteis é crer que alguém tem a vida eterna garantida simplesmente por ser circuncidado. João Batista contestou esse tipo de pensamento quando disse para não pensarem "Temos Abraão por pai" porque, como bem observou, até mesmo pedras poderiam ser feitas descendentes de Abraão segundo a carne se Deus assim desejasse.

Mas há um segundo tipo de obras, as verdadeiramente sublimes, das quais Jesus disse "Dará a cada um conforme as suas obras". Essas são as obras do Espírito, as obras da caridade, do amor. Evitar o pecado, doar aos pobres, viver o amor... essas são obras do Espírito, que não perecem, que são verdadeiras e que se tornam tesouros no Céu. E quem realiza esse tipo de obras jamais perderá o seu galardão.

Por isso a Bíblia diz que a salvação não é somente pela Fé, mas também pelas Obras, porque Fé sem Obras é morta. Mas algumas pessoas não entendem como pode a salvação depender de Obras. Aí está: não há um tipo só de obras, mas dois: as da carne e as do espírito. A salvação não depende das obras da carne, mas depende sim das do espírito.

Isso não é difícil de aceitar nem de entender, e parece bem de acordo com tudo o que os Profetas ensinaram (as obras do espírito são o Amor, e o Amor é o cumprimento total da Lei, a qual Cristo não veio abolir).

Assim, eu - em minha humilde opinião - me sinto tranquilo no espírito em afirmar que a salvação é sim por Obras, mas pelas Obras do Espírito e não pelas da carne.

Para finalizar, devemos pensar quantas obras da carne temos dentro do mundo cristão. E o primeiro exemplo é o mais evidente: se era um erro supor que a circuncisão salvava alguém, do mesmo modo é uma ingenuidade crer que qualquer ritual tem o poder de salvar. Assim, não devemos confiar nos rituais de Batismo e de Ceia ou nos Cultos e nem em expressões de Falar em Línguas ou fazer "milagres" como sinais de Salvação, porque Cristo mesmo disse "Não fiquem felizes porque os espíritos maus se submetem a vocês, mas porque os nomes de vocês estão registrados nos Céus".

Sobre a FÉ

A gente costuma ver FÉ como antagônica a RAZÃO, na dimensão cognitiva (de forma de conhecer as coisas), e como antagônica a OBRAS na dimensão da Salvação. Mas esses antagonismos são muito simplista e eu ouso dizer que são falsos.

FÉ cognitiva é necessária à RAZÃO, pelo simples fato de que toda linha de raciocínio precisa começar por um ponto de partida que é aceito sem nenhuma prova, mas apenas por fé ou intuição.

FÉ também não se opõe a obras, biblicamente falando, porque mesmo a Bíblia diz que "Fé sem obras é morta".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Uma metáfora do livre arbítrio


Um professor leva sua turma de alunos, todos crianças, para a sala de vídeos da escola. Ele quer que elas vejam um vídeo educativo. 

A sala é grande e cada aluno escolhe onde quer sentar. A maioria senta-se no fundo da sala enquanto duas alunas sentam-se bem perto da TV. 

O professor zapeia os canais e, como deseja que os alunos aprendam a administrar as pequenas coisas e a tomar decisões sábias, resolve que uma das alunas ficará com o controle remoto e pergunta a uma delas "Qual desses canais você prefere?" E ela responde "Fiquei curiosa para ver aquela entrevista com artistas famosos". 

Faz a mesma pergunta à outra aluna e ela responde "Eu queria ver aquele desenho animado". 

O professor concorda com a ideia da segunda aluna mas volta a perguntar a elas: "Em qual volume vocês colocariam a TV se eu lhes desse o controle remoto?". 

A primeira aluna diz "Eu colocarei em um volume médio, nem muito alto e nem muito baixo". Já a segunda diz "Eu colocarei em um volume baixo, só o suficiente para ouvirmos sem muito esforço". 

O professor sabe que a decisão dele é só sobre qual aluna vai ficar com o controle remoto, mas, uma vez dado o controle a uma delas, ele pretende que ela escolha tanto o canal quanto o volume da TV, porque considera que isso é educativo e vai no sentido de seus objetivos como educador. 

Então ele pondera que prefere a escolha de canal da segunda aluna, porém o volume que a primeira pretende escolher é a princípio melhor. Por fim, decide dar o controle à segunda aluna, sabendo que, para que os demais alunos possam ouvir e acompanhar o programa, eles terão de se deslocar lá do fundo para sentar-se à frente, mais próximos da TV, para ouvir melhor. 

Então ele comunica a decisão aos demais alunos, que não haviam prestado muita atenção à conversa do professor com as duas colegas sentadas na frente. Eles não sabiam das opções que essas duas colegas haviam levantado, mas concordam por unanimidade que é uma boa ideia assistir ao desenho animado. Contudo, haviam ouvido com ligeira atenção apenas uma parte da conversa do professor com as colegas e, com isso, estavam cientes de que a primeira colega preferia um volume mais alto, de maneira que ficam sem entender por que o professor escolheu a segunda aluna. Para eles, essa escolha pareceu inconveniente, porque isso lhes trouxe o inconveniente trabalho 
adicional de deslocarem-se para as fileiras da frente da sala. 

Isso talvez seja algo que ligeiramente lembra a forma como Deus toma Suas decisões, se bem que nos é impossível compreender os planos dEle. 

Mas talvez com uma ilustração dessas possamos pensar no seguinte: Deus poderia fazer todas as coisas por Si mesmo, mas criou-nos com algum objetivo e prefere que nós façamos algumas coisas, tendo dado a cada um de nós algumas responsabilidades. Ele toma algumas decisões e outras é como se delegasse ao nosso livre-arbítrio. Contudo, Ele nunca é pego de surpresa por nossas decisões, pois sabe de antemão o que cada um vai fazer com o que ele nos der. 

Assim, Ele escolhe, tendo em vista os objetivos que apenas Ele conhece bem, o que delegará a cada um de nós. 

Mas podemos pensar "Por que Deus dá alguns dons a pessoas que os usam mal?" ou, por exemplo, "Por que Ele permite que uma pessoa se torne rica se sabe que ela desperdiçará todo o dinheiro que tiver, enquanto outra pessoa, que é boa, não se torna rica?". Talvez seja porque Ele saiba, e nós não, que, numa das ocasiões em que a pessoa rica desperdiçou dinheiro, um sujeito a viu e, percebendo que alguém pode ser rico materialmente mas miserável quanto às coisas espirituais, com isso aprendeu que das riquezas deste mundo não se 
pode esperar muita coisa e assim tudo isso serviu como uma dádiva para esse sujeito, que com esse pensamento (e outros) acabou por se converter. E talvez ele saiba que aquela outra pessoa, que é boa mas é pobre, se tivesse muito dinheiro, iria ser tentada pelas riquezas deste mundo e não conseguiria resistir à tentação, que faria com que ela se tornasse uma pessoa perversa. 

O fato é que Deus conhece tudo, inclusive o futuro, e considera todas as inumeráveis variáveis que estão em jogo. Talvez com isso é que ele tome decisões que, se por um lado nos predestinam a um certo futuro, por outro não são decisões vãs e nem mesmo decisões que nos removem o livre-arbítrio. 
Porque bem pode ocorrer que Deus nos dê liberdade de escolher o que fazer com as coisas que Ele nos deu já sabendo, de antemão, as escolhas que faríamos. E, ora, não há nenhuma contradição nisso, como ilustra o exemplo do professor: ele leva em consideração as decisões que sabe que as alunas vão tomar (a diferença é que Deus não precisa perguntar, como o professor perguntou às alunas, porque Ele já sabe de tudo), mas não toma as decisões por elas (apenas dá a uma o poder de concretizar sua escolha e à outra não). 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Livre-se da Igreja para conseguir ler a Bíblia!

Quem consegue ler a Bíblia livre de concepções prévias?

Quase ninguém!

Isso porque as pessoas se convertem pela Igreja antes de conhecer a Bíblia. É o caminho natural e mais provável de qualquer pessoa trilhar. Mas, se já abrimos a Bíblia com as concepções prévias que as igrejas doutrinaram e inculcaram em nós, não conseguiremos ler as Escrituras com a isenção necessária para fazer uma leitura lúcida e crítica.

Querem uma evidência disso? Hoje, com toda a evolução da Arqueologia, da Línguística etc., temos traduções bíblicas muito bem feitas, por especialistas muito bem informados. Apesar disso, quase todas as igrejas evangélicas usam traduções baseadas na de Almeida, do século XVII, muito antiga, escrita numa linguagem arcaica e difícil de entender.

Por que isso é evidência de que os cristãos não conhecem a Bíblia? Simples, porque são levados a ler uma tradução muito antiga e cheia de erros, difícil de entender. Com isso, podem ler dezenas de vezes a Bíblia inteira, mas sem entender direito o que está escrito. Com isso, ficam com a impressão de que conhecem a Bíblia, mas não a conhecem.

Como não entendem o texto, ficam à mercê de acreditar nas interpretações que seus pastores ensinam.

No final, geração após geração vai propagando ideias possivelmente erradas da Bíblia, sem que quase ninguém consiga parar e pensar "Espere um pouco, será que a Bíblia diz isso mesmo?".

O que sugiro aos cristãos é isso: tentem se livrar das doutrinas humanas e se atenham apenas às Escrituras. É difícil fazer isso, mas vamos nos esforçando e, com o tempo e a ajuda de Deus, vamos começar a entender o que verdadeiramente o texto está dizendo, sem as intervenções das "doutrinas que são preceitos de homens".