quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Bíblia é a favor da Escravidão? Um primeiro breve esclarecimento

Muitos dirão que sim e pensarão provar isso apenas mostrando que aparece a palavra "escravo" nas traduções da Bíblia feitas no século XVII*, mas lembrem-se do contexto e dos critérios da tradução** e que essas mesmas traduções chegam a dizer coisas sem sentido [se analisadas sem conhecer os mecanismos de tradução] como "o povo fala que Deus não é igual" (quando a palavra "tsedek", embora também possa significar "igual", obviamente, pelo contexto, significa "justo").

Ou seja: a palavra é traduzida como "escravo" por uma espécie de convenção, sendo que a mesma palavra significava "servo", "empregado", "trabalhador com jornada longa" (que difere do "diarista" e que algumas traduções vertem como "jornaleiro"), "contribuinte" ("que paga impostos") e, algumas vezes, pode mesmo significar "filho".

É, portanto, preciso ver muito mais que a mera existência da palavra "escravo" na Bíblia para garantir que ela é favorável à escravidão.


(*) A Reforma inovou ao propor que todos tivessem acesso às Escrituras em seu próprio idioma. Entre os séculos XVI e XVII, traduções vernaculares foram feitas num mundo que aderia à Reforma. Essas traduções tornaram-se icônicas e tradicionais, sofrendo apenas posteriores correções e revisões (que sempre procuraram mudar o mínimo). Por isso que até hoje temos a impressão de forte arcaísmo na linguagem bíblica (porque estamos acostumados a ouvir citações de bíblias muito antigas). No Brasil e em Portugal, a Bíblia tradicional em Português é a famosíssima tradução de João Ferreira de Almeida, que hoje (em diferentes formas e revisões) permanece a mais lida, mais vendida, mais citada e mais presente na internet (muitas edições dela já estão em domínio público, o que as torna gratuitas). Essas traduções antigas têm lados ruins (arcaísmos da linguagem, palavras muito "congeladas" etc.) mas também lados muito bons (são rigorosíssimas, são belas, sofreram inúmeras revisões com base em descobertas arqueológicas, históricas e idiomáticas e são de domínio público, o que as torna gratuitas).

(**) Cada tradução era (e muitas vezes ainda é) feita geralmente por um processo que se chama "equivalência formal": em que cada palavra era geralmente vertida para uma única outra (evitando locuções, por exemplo), tabelada, de mesma classe morfológica (verbo por verbo, substantivo por substantivo etc.), o que engessava muitas vezes, fazendo as frases soarem como que traduzidas por um software e sem muita flexibilidade quanto ao contexto que não o imediato. Por isso, as Bíblias boas para estudo são as definidas como tal (que têm muitas notas de rodapé com explicações) e é preciso fazer um estudo (coisa que muitas igrejas fornecem gratuitamente) do mínimo da estrutura dos idiomas originais e sempre comprar mais de uma tradução (a fim de compará-las) e, quando possível, recorrer ao texto original.

Deus é pai... e também é mãe!

Ela criou o Universo e ama todas as Suas criaturas...

As Sagradas Escrituras mostram não somente o Deus-Pai, mas também a face materna de Quem nos criou.

De fato, se Deus não tem corpo e nem gênero, não pode ser restrito ao conceito masculino ou feminino. É Pai e é Mãe.

Em Oséias 13:8, Deus é a Mãe Ursa que procura e protege, com todas as suas forças, os Seus filhotes que Lhe foram roubados.

Deus é a Mãe que jamais de esquece dos Seus filhos e que jamais deixará de amá-los. Ela sofre por Seus filhos e não cessa de procurar por eles:

"Há muito que me calei, guardei silêncio e me contive. Como uma mulher que está de parto eu gemia, suspirava, respirando ofegante. 


Vou devastar montanhas e colinas, secar toda a vegetação, transformar os cursos de água em terras áridas, e fazer secar os tanques.

Aos cegos farei seguir um caminho desconhecido, por atalhos desconhecidos eu os encaminharei; mudarei diante deles a escuridão em luz, e as veredas pedregosas em estradas planas. Todas essas maravilhas, eu as realizarei, não deixarei de executá-las.

Surdos, ouvi! Cegos, olhai e vede!"
(Isaías 42:14-16,18)


"Como a águia que vela por seu ninho e revoa por cima dos filhotes, Deus tomou Seu povo, estendendo as suas asas, e o carregou em cima de suas penas"
(Deuteronômio 32,11).

"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti"
(Isaías 49:15)

"Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados"
(Isaías 66:13)

A salvação vem pela fé... Mas o que é fé?


Paulo falou em salvação pela fé. Jesus não. Ele falou "Conheces os Mandamentos: não matarás, não adulterarás, não deflagrarás ninguém, honrarás teu pai e tua mãe e amarás teu próximo como a ti mesmo".

Quem está certo: Jesus ou Paulo?

Eu antes perguntaria: o que Paulo quis dizer com a palavra "fé"? Será mesmo que ela tinha naquela época, no dialeto Koiné do Grego de 2 mil anos atrás, o sentido que tem hoje?

E se tivermos a fé na coisa errada? Se acreditarmos que há 8 céus em vez de 7, ou que Deus é 3 em vez de 1? Ou que o Reino tem ruas de ouro quando na verdade tem de diamantes? Não estaremos salvos?

Ora, a salvação não pode vir do fato quase aleatório de se crer na verdade e não na mentira. Do contrário, a salvação seria pelo conhecimento, como pretendiam os Gnósticos. Então, os mais eruditos estariam em melhor posição que os mais humildes, e certamente Jesus dizia que não era isso o que salvava.

Donde vem, então, a Salvação? Pode ser que venha da fé. Mas não é, portanto, daquilo o que hoje (2 mil anos depois) nós chamamos de fé - o simples acreditar na coisa certa. Se eu creio que a Terra está parada quando de fato ela gira, esse meu erro, minha "fé" errada não será - por certo - motivo de danação eterna.

A salvação vem da fé, mas está muito claro que agora nos resta descobrir o que significa a palavra "fé", porque tudo indica que estamos entendendo errado essa palavra.


PS: Há um livro muito interessante, chamado "Acreditavam os gregos em seus deuses?". Quem lê esse livro logo entende que o autor pretende não responder simplesmente "SIM" a essa pergunta, mas mostrar que a "fé", na Grécia antiga, tinha significado bastante diferente do que tem hoje. Era muito mais uma ortopraxia (agir corretamente) que uma ortodoxia (acreditar na coisa certa). Arrisco dizer que devíamos experimentar reler o Evangelho com essa hipótese em mente: a hipótese de que "fé" na Bíblia tinha um significado muito diferente do que tem hoje.

Breve manifesto ao mundo não-cristão

A Bíblia tem sido a mesma há milhares de anos (como provam os achados arqueológicos, como por exemplo os Manuscritos do Mar Morto) e fez profecias perfeitas que deram certo.

Então, eu não tenho dúvida: tudo indica que ela é verdadeira.

Portanto, eu acredito nela. Não nas doutrinas de homens, não nas doutrinas de pastores, padres ou papas, não nas doutrinas de homens vivos, nem muito menos na de espíritos de mortos, nem na do Allan Kardec, nem na de Ellen White, nem na da Torre de Vigia, nem na dos anciãos da Congregação Cristã, nem na de rabinos, nem na de Talmudes (babilônicos ou não) mas apenas na Bíblia.

Respeito a decisão de qualquer um, mas sei que um dia todos compareceremos diante de Deus e teremos de arcar com as consequências da nossa escolha.

O Verbo de Deus é AMAR

Quem ama é maior que quem profetiza. Quem ama é maior que quem crê, maior que aquele que sabe ou pensa saber (1Co 13). Porque o Verbo de Deus é Amar, quem ama tem o Verbo em si. E esse Verbo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Esse verbo conjugou o amor com sua maior prova, não porque verteu Seu sangue, mas porque amou seu algoz e chorou não pelas próprias dores, mas pela dos que O traspassaram.

Ele não salvou por dar Sua vida, mas por amar. Se o amor vale o perdão (Lc 7:47), o amor vale a salvação. Mais que o depois da morte, ele é a própria vida.

O maior ato da História, o maior milagre de Deus

O maior ato de amor de Jesus não foi morrer na cruz: foi nos ter criado.

E Seu maior milagre não foi rescuscitar, mas foi nascer, porque não há nada mais indescritível e impressionante que o Deus supremo e Criador do Universo encarnar sob a forma de criatura.

Não há milagre mais magnífico que o Infinito ter Se feito caber na pequena finitude de ser humano.

Nem maior comunhão que o Eterno vir conosco experimentar o fim... e vencê-lo.

Cristianismo, essa religião ao contrário


O Cristianismo é uma religião ao contrário: nela não é o homem que evolui espiritualmente até atingir um nível mais elevado e encontrar a Deus.

Muito pelo contrário! No Cristianismo, foi o próprio Deus que, na mais maravilhosa prova de amor, desceu até atingir, não apenas o nível, mas a forma de ser humano para nos permitir encontrá-Lo.

Seu desafio não é que nos elevemos para ser como Ele, mas sim que aprendamos a nos diminuir para que amemos as criaturas mais frágeis.

Acho que é esse um dos motivos pelos quais Ele criou os animais de estimação: para aprendermos a amar como Ele nos amou... e ama!

sábado, 6 de setembro de 2014

O Dia do Juízo

muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a glória eterna, e outros para vergonha e desprezo eternos.
Daniel 12:2


Nós, cristãos, assim como nossos irmãos judeus e nossos irmãos muçulmanos, acreditamos no Juízo Final ou "Dia do Senhor".

A Bíblia ensina que haverá um Dia maravilhoso quando a justiça será feita. Naquele dia...

(...) todos os que se encontram nas sepulturas ouvirão a Sua voz e se levantarão; os que fizeram o bem, para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da danação.
João 5:28-29


E as Sagradas Escrituras também ensinam que, no Dia do Juízo, o SENHOR retribuirá a cada um conforme as obras que fez (Isaías 59:18 e Romanos 2:6).


Até as crianças sabem que cada ação tem consequência. Se as Escrituras dizem que os maus receberão julgamento e punição, algumas pessoas dizem que Deus é tirano ou rigoroso demais.

Mas isso é falso! O que Deus nos oferece é apenas a consequência dos nossos atos.

Algumas pessoas pensam que não temos livre arbítrio, porque quem pratica o mal será punido. Isso parece um raciocínio defeituoso. Temos liberdade de fazer o que quisermos, mas temos de arcar com as consequências. Isso não significa que Deus é um tipo de ditador, mas que Ele é justo e que devemos agir de forma madura. Apenas as crianças pensam que podem fazer o que quiserem sem arcar com as consequências. Amadurecer e virar adulto implica aprender que temos de assumir as consequências dos nossos atos.

Um pastor que manipula o povo e distorce o evangelho para ganhar dinheiro ficará impune no Dia do Senhor? Um empresário farmacêutico que deixa uma população inteira morrer com uma doença por não ter dinheiro para pagar pela cura permanecerá em pé no Dia do Juízo? Quem rouba dos pobres para dar aos ricos terá alguma recompensa nesse Dia?...

Olhemos para dentro de nós e veremos a resposta a essas perguntas lá impressas (Jr 31:33, Rm 2:15), como os Mandamentos que foram talhados nas Tábuas da Lei: Deus é justo! E "o mau não ficará impune" (Pv 10:21).


Evitar más companhias

Abençoado com felicidade é o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se deixa influenciar pela conduta dos pecadores, nem se assenta na reunião dos zombadores.

Ao contrário: sua plena satisfação está na lei do SENHOR, e na sua lei medita, dia e noite!
Salmo 1.º

 

O Salmo 1.º ensina que a gente precisa evitar más companhias, evitar andar com pessoas que levam a gente fazer o que é errado. É o mesmo que está sendo ensinado no primeiro capítulo do livro dos Provérbios:

Filho meu, se pessoas perversas tentarem seduzir-te, não o permitas! Se te convidarem: “Vem conosco, embosquemo-nos para assaltar e matar alguém; Traguemo-los vivos, como a sepultura engole os mortos; vamos destruí-los por encontraremos todo tipo de objetos valiosos e encheremos as nossas casas junta-te ao nosso bando; dividiremos em partes iguais o resultado de tudo o Filho meu, não sigas pelo caminho desse tipo de gente! Afasta os teus pés pois os pés deles se precipitam para o mal e correm para derramar sangue.
Provérbios 1:11-16


Bom é um ditado popular que fala "Diga-me com quem andas que te direi quem és". Ou, como dizia minha avó, que assim ouviu de seu pai lá em Portugal: "Diga-me com quem andas que te direi as manhas que tens".

Pois é, as companhias influenciam a gente. Por isso, evitar más companhias é prudente e necessário.

Alguns irmãos pensam que precisam andar na companhia de más pessoas para evangelizar esse pessoal. De certo modo, estão certos. O próprio Cristo deu esse exemplo, porque Ele permitia que ladrões e prostitutas O seguissem.

Mas é bom lembrar que a Bíblia nos ensina a evitar a tentação e o pecado. Então, cada um de nós precisa admitir que tem fraquezas.

Jesus permitia que pecadores se sentassem ao lado dEle, mas é claro que Jesus tinha força e maturidade para não ser levado a agir mal pela má influência dessas pessoas.

Mas nós temos nossos limites. Precisamos admitir que temos fraquezas.

Se uma má companhia pode te levar para um mau caminho, então evite essa companhia, porque Jesus nos ensinou a evitar a tentação, quando disse, no sermão da Montanha: Se a tua mão te faz pecar, corta-a e atira-a longe (Mateus 5:30).

Jesus não está nos dizendo para abandonar o pecador e não evangelizá-lo. Mas temos de ser prudentes e humildes. E aceitar que somos fracos e que podemos ser levados a pecar por andarmos com pessoas que dão mau exemplo é um ato de humildade e sabedoria.



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"Quem é humilde será exaltado"

Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.” — Lucas 14:11

Jesus, mesmo sendo Deus, demonstrou humildade.

O Ser mais poderoso do Universo é Deus. Ele é quem está acima de todas as coisas e, mesmo assim, deu exemplo de humildade, assumindo a forma humana em uma cidadezinha pequena, Belém.

Foi humilhado, cuspido, apanhou, foi caluniado e crucificado. Ele lavou os pés dos discípulos, Ele orou a Deus nos dando exemplo de que também devemos orar. E pregava nas ruas, no deserto, nas casas de quem O recebesse...

Depois de todos esses exemplos, não podemos deixar de agir como Ele nos ensinou a agir.

Se Deus, que é mais poderoso e mais importante que qualquer coisa, deu exemplo de humildade, quem somos nós para sermos arrogantes e não pedirmos desculpas quando fazemos algo errado?

Quem somos nós para não pedir ajuda quando precisamos?

Para não cumprimentarmos as outras pessoas e não sermos gentis com os outros? Como podemos ter a arrogância de não reconhecer que pecamos e pedir perdão a Deus?

Todos precisamos uns dos outros. O professor tem muito a aprender com o aluno, o paciente pode um dia salvar a vida do médico e o filho tem o dever de cuidar dos pais quando estes forem idosos, com o mesmo amor com que os pais cuidam dele.

Portanto, irmãos e irmãs, vamos seguir o exemplo de Cristo...
“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”. — Filipenses 2: 6-7