segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Socorrer os pobres - um mandamento

A Bíblia nos ensina a preocupar-nos com a justiça e o bem do próximo. Portanto, o verdadeiro cristão deve dar atenção a isso!

Um conceito muito importante, na Bíblia, é o de Tsedacá¹ (justiça social), que - basicamente - se refere a distribuir renda. Por vezes é usado para referir-se ao abastado que divide sua riqueza com os pobres. Neste caso, a atitude não é uma simples caridade, mas uma verdadeira justiça; porque nada nos pertence realmente, mas deve ser dividido entre todos. "... Quem tiver duas túnicas reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira" (Lucas 3:11).

É errado perverter o direito do pobre, porque está escrito: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém" (Deuteronômio 27:19).

A Torá (Lei judaica) proibia que uma dívida se estendesse por mais de 6 anos (sendo perdoada no sétimo ou antes, caso caia-se no ano do Jubileu, a cada 50 anos; cf. Ex. 23 e muitos outros). Também proibia que se cobrasse a dívida ou o penhor do pobre ou que se vendesse alguém como escravo, e ainda ordenava que se deixasse boa parte da colheita para os pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas, e proibia que se explorasse o empregado (Dt 24 e muitos outros trechos). Institui o dia do sábado para que o empregado descanse de seu trabalho (Ex 20; 23 e outros).

O próprio SENHOR promete defender a causa e o direito dos pobres: "Porque o seu redentor é poderoso; e pleiteará a causa deles contra ti" (Provérbios 23:11).

Penso, portanto, que é flagrantemente contrário à Bíblia nos chamarmos de "cristãos", nos finais de semana e dentro da igreja, mas darmos as costas aos pobres nos outros dias ou fora da igreja. Porque a fé verdadeira permeia o comportamento da pessoa em todas as esferas da sua vida. E sabemos, tando judeus quanto cristãos, que todas as leis da Torah e dos Profetas (toda a Bíblia) se resumem a "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", como ensinam atualmente os rabinos e como Jesus ensinou. Pois "a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom" (Romanos 7:12).

¹"A palavra tsedacá possui sua raiz na palavra hebraica tsedec, que significa integridade, justiça, a coisa certa a fazer. D'us permitiu que existissem pobres e ricos para que os seres humanos exercessem bondade e justiça uns com os outros transformando seu livre arbítrio em ações positivas.O dinheiro não pertence realmente a você, que está obrigado a distribuí-lo. A pessoa deve fazer caridade de acordo com as suas posses" (http://www.chabad.org.br/interativo/FAQ/tsedaca.html).

Salvação para quem nunca ouviu falar em Cristianismo

Algumas vezes já me perguntaram como ficam, em relação à Salvação, os que não ouviram falar de Jesus. Eu sempre cito a parábola dos talentos (Mateus 25: vv. 14 em diante) e a conclusão que vem dela. Aqui vai uma fala do próprio Jesus, em outro momento, em que reitera a mesma conclusão:

"E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá."

Lucas 12:47-48

Note que ele está "parabolando" (isso ficou explícito, como sempre ocorre nas parábolas, no versículo 41, onde se diz que Ele está falando em parábolas). É óbvio que os açoites representam o castigo e "fez coisas dignas de açoites" obviamente significa "fez coisas dignas de castigo". Paulo, por sua vez, reiterará ese conceito em Rm 1-2, onde esclarecerá que é maior a responsabilidade dos que conhecem a Lei. Ele diz, a respeito dos outros povos, que ainda não haviam conhecido a Torah (aqui traduzida por Lei), isto é, a Palavra de Deus:

"Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei" (Romanos 2:14).

Fica bastante claro que a Salvação é possível mesmo a todos os povos, ainda a quem não tenha ouvido sequer falar de Deus. Assim Abraão e Noé, que era homem justo diante de Deus, buscaram conhecer a Verdade - buscaram conhecer a Deus - e todos esses vieram bem antes de Moisés e de a Bíblia sequer começar a ser escrita!

Mas isso não significa que não devamos pregá-la, porque ela traz a Palavra, a Verdade que algumas pessoas anseiam por conhecer. E temos esse mandamento:

"Ide, pois, e ensinai a todas as nações e batizai-as (...). Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo."

(Mateus 28:19-20)

Introdução ao estudo dos Evangelhos (Tópicos, Anotações)

[EV] (grego para "bom", "perfeito", "melhor")
+
[ANGELHO] (mesma raiz grega da palavra "anjo" = "mensageiro"; significa "mensagem", "notícia").

  • "Evangelho" significa "melhor mensagem" ou "boa notícia" ou "boa nova".

Strito Sensu, Evangelho representa cada um dos 4 livros, do Novo Testamento (NT), que narram a vida, morte, ressureição e ensinamentos de Jesus (p. ex., "Ler os Evangelhos") : Mateus (Mt), Marcos (Mc), Lucas (Lc) e João (Jo).

Lato Sensu, Evangelho é a totalidade dos ensinamentos de Jesus (ex. "Pregar o Evangelho"), é o equivalente à Torá dos Judeus ("torá" significa "instrução" ou "ensinamento" em hebraico e o termo também se refere ao conjunto dos 5 primeiros livros da Bíblia ou "Pentateuco").
  • Evangelhos sinóticos: Mt, Mc e Lc (os 3 primeiros na ordem tradicional em que aparecem na bíblia), chamados "sinóticos" porque possuem muitos paralelos entre si enquanto têm ênfases semelhantes. Uma hipótese bem aceita é que Mt e Lc foram baseados em Mc e em uma hipotética (e não-identificada) fonte "Q". Em comparação com os sinóticos, Jo parece ter uma ênfase bastante diferente.
  • Lc e Jo são os únicos nos quais os respectivos autores se identificam, sendo ainda Lc o único evangelho escrito na forma de carta (remetida a Teófilo).
  • Mt e Mc têm sua autoria atribuída apenas pela tradição.
  • O idioma original do NT mais amplamente usado para gerar as traduções da Bíblia, é o grego, mais especificamente o dialeto koinê (linguagem mais popular e simples, a linguagem "do povão" do séc. I, por assim dizer). Mas pode-se questionar se todos os livros do NT foram realmente escritos originalmente em grego ou se as versões gregas de que dispomos são tradução de uma versão original em outro idioma (aramaico, por exemplo).
  • As fontes usadas para tradução do NT são de dois tipos (que variam menos de 1% entre si):

Textus receptus ou Texto Recebido (TR): representa a maioria dos manuscritos de que dispomos; foi usado nas traduções mais antigas da Bíblia, possui trechos considerados, pelos críticos do TR, como adições posteriores (p. ex., os que fazem vaga referência às pessoas da Trindade) - usado por algumas igrejas evangélicas de matriz mais conservadora;

Texto Crítico (TC): representa os manuscritos mais antigos de que a Arqueologia dispõe; é usado desde o séc. XIX e baseia-se em tentar reconstruir o mais próximo possível o texto original - usado pelos católicos, protestantes e aadêmicos.

Essas diferenças entre TR e TC são poucas e de importância ínfima.
  • Cada evangelho tem um público-alvo e uma ênfase na narrativa:

Mt destina-se aos judeus, traz o Sermão da Montanha (considerado, por muitos, como o trecho mais importante do NT e que resumiria os ensinamentos de Jesus) entre os capítulos 5 e 7, narra o nascimeto de Jesus;

Mc é o mais curto dos evangelhos, destinado aos gentios (pagãos, não-judeus), enfatiza a ação, os milagres de Jesus e tem uma escrita mais dinâmica ("direta ao ponto"; a narrativa começa com Jesus já adulto - sendo o mais curto e sendo escrito para não-judeus, Mc é o livro mais traduzido da Bíblia;

Lc é o único que se preocupa em narrar os fatos em ordem cronológica e o que traz mais detalhes sobre fatos anteriores ao nascimento de Jesus (Lucas era provavelmente um prosélito, um pagão/gentio convertido ao judaísmo; tinha um estilo de escrita que deixa transparecer sua origem cultural greco-romana);

Jo enfatiza a divindade de Jesus e longos discursos dele, foi escrito para gentios e não narra o nascimento de Jesus.
  • Existem supostas discrepâncias entre as narrativas dos evangelhos, mas elas são facilmente solucionáveis. Alguns exemplos com suas hipóteses solucionadoras seriam:

1. Genealogia de Jesus aparece apenas em Mt e Lc, mas não "bate" uma com a outra (Possivelmente uma seguiria a linha de José e outra a de Maria; Mt pode ter sido escrito em aramaico, onde fica mais evidente que um José mencionado é pai e não marido de Maria);

2. Sermão da Montanha aparece diluído exceto em Mt (provavelmente Jesus ensinava repetidamente as mesmas coisas em diferentes ocasiões);

3. Ordem dos eventos não é a mesma (a literatura hebraica não necessariamente estava precupada com narrativas em ordem cronológica, tanto que apenas Lucas se prontifica a fazer uma narração odenada, coisa - aliás - que ele enfatiza duas vezes, deixando supor que um dos objetivos de ele ter escrito foi para colocar na ordem cronológica os eventos que estavam sendo narrados fora de ordem em outras fontes);

4. Narrativas da visita ao túmulo de Jesus não coincidem (provavelmente houve mais de uma visita).
  • Os evangelhos canônicos (que estão dentro da Bíblia) foram escritos por testemunhas oculares (fontes primárias) ou por pessoas que conviveram com estas (fontes secundárias) no primeiro século.
  • Os "evangelhos" apócrifos ou pseudepígrafos foram escritos após o séc. II, por pessoas que não testemunharam os fatos nem tiveram contato direto com testemunhas. Foram escritos por adeptos da seita dos gnósticos e com muita licença literária (os autores assinaram, como era usual na época, com nomes de outras pessoas; assim, p. ex., é certo que o evangelho de Tomé foi escrito muito depois de Tomé ter morrido, o mesmo se passando com o de Maria Madalena e assim por diante).
  • Já que alguns episódios da vida e dos ensinos de Jesus aparecem também nas epístolas, não seria inorreto dizer, lato sensu, que não apenas os livros chamados "Evangelhos" fazem jus a esse nome. Em particular, a carta aos Hebreus poderia bem ser vista como tal.
  • Novo Testamento = Evangelhos + Epístolas (incluindo Atos e Apocalipse).
  • Os Evangelhos têm especial importância para os cristãos, o que fica muito evidente na liturgia de algumas igrejas: lê-lo em pé, priorizá-lo em relação às outras leituras, colocar o Livro dos Evangelhos em uma cadeira durante os concílios e sobre a cabeça de alguém que está sendo ordenado bispo, o próprio uso de termos como "cristão evangélico" e "pegar o evangelho" etc.

Quem somos - Faça parte

- Somos uma igreja com "i" minúsculo, já que Igreja, com "i" maiúsculo, é a comunhão de todos os crentes, em todos os tempos e espaços;

- Somos cristãos que buscam trabalhar pelo Reino de Deus;

- Entendemos que A Igreja não é restrita a paredes, templos, denominações, espaços, tempos, cleros etc., mas confiamos na promessa de Cristo de que todos somos igreja, porque Ele disse "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20);

- Não nos opomos ao modelo de igrejas com templos ou institucionalizadas, mas tampouco nos opomos aos modelos de igreja orgânica, domiciliar, comunidades eclesiais, pequenos grupos etc.;

- Começamos com um pequeno grupo que tenta multiplicar-se. Assim sendo, o pequeno grupo da comunidade "Comunhão em Jesus", que temos em São Paulo (Capital) é uma (a primeira) de algo que podemos considerar um movimento de união e comunhão cristãs.

- Podemos dizer que temos caráter ecumênico, no sentido de que pensamos a Cristandade como algo que transcende as denominações, de maneira que nos sentimos muito à vontade para debater temas nos quais os cristãos se divergem e não temos qualquer problema em orar e tomar a ceia com irmãos das diversas denominações;

- Se você ou seu grupo, sua comunidade ou igreja quer fazer parte desse movimento, se concordar com nossa declaração de princípios (Veja a postagem "Carta Diaconal"), ou se quiser apenas manifestar uma opinião, fique à vontade para entrar em contato conosco.

- Podemos manter contato, mesmo que à distância, para ajuda mútua, amizade e interação... Gostaríamos de multiplicar grupos de oração e estudo bíblico ("igrejas", se preferirem) com relação fraterna entre si. Seja bem-vindo(a)!
Você pode cadastrar-se clicando aqui.


Meu nome é Leandro, sou um dos servos desta comunidade e ficaria muito feliz em receber um e-mail do(a) irmã(o), não importa de que parte do mundo você é. Pode escrever para gama@if.usp.br.

Fique com Deus!

Declaração

Tendo os irmãos conversado a respeito e, em nome de Jesus, suplicando a guia do Espírito Santo, decidiram colocar por escrito a instituição de nossa comunidade eclesiástica (tendo em vista a liberdade de consciência e de crença, a liberdade e a proteção ao culto e a liberdade de associação, garantidas pela Constituição Federal, em seu Art. 5.º, e pela Declaração Universal do Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário) em comum acordo estabelecendo o seguinte:

Não há autoridade senão a do Deus Único e Verdadeiro. A Igreja é a Comunidade ou Comunhão de todos os fiéis e irmãos na Fé, coparticipantes da Família e do Reino de Deus, reunidos como Corpo de Cristo, sem limites de instituições humanas, clero, templo, espaço, tempo ou denominação. A comunidade e seus membros abdicam solenemente de decidir seus próprios destinos e elegem Deus como seu único e verdadeiro Senhor. Renunciamos a todo desejo que contraria a vontade, a justiça ou os mandamentos de Deus e rogamos a Ele pertencer de corpo, mente, espírito e alma, eternamente, e, ainda que venhamos a desejar com todas as forças e mesmo suplicar que façamos algo contrário a vontade do Deus único e Verdadeiro, que não tenha efeito o desejo contrário a Deus e que seja nulo todo ato que contraria Sua vontade.

A finalidade principal da comunidade é servir, louvar, conhecer e amar a Deus. Cremos na existência de Deus e no fato de Ele ser único, eterno, onipotente e onisciente. Cremos ainda que Ele Se nos revela pelo Seu Espírito Santo e nas Sagradas Escrituras, a Bíblia.

Aceitamos o sacerdócio comum de todos os crentes, pelo que todos os irmãos podem ministrar o batismo, orações, bênçãos, Ceia, evangelismo e pregação, bem como fazer tudo o mais que seja bom e justo diante de Deus, incluindo o presidir, abençoar e/ou testemunhar o sagrado matrimônio, tudo isso em nome da comunidade e da Igreja, como expressão do sacerdócio santo e da pertença ao Povo eleito, porque todos fiéis são chamados ao serviço e ao sacerdócio. Independentemente de nomeações, formalidades, cerimônias ou ordenação procedente dos homens, todo fiel em verdadeira comunhão com Deus é tão licitamente sacerdote quanto o mais alto dignatário do clero ordenado.

Observação:

Não é ilegal e nem ilegítimo existir uma "igreja" sem registro em cartório. Aliás, essa liberdade de reunião, de culto e de crença está garantida no Art. 5.º da CF/88. Pelo que entendemos, o registro em Cartório serve apenas para quem pretende impor algum tipo de obrigação a terceiros, o que não é nosso caso. Não há nada de ilícito ou ilegal, portanto, em uma igreja sem registro em cartório. Isso fica comprovado na seguinte citação de um Promotor:
(...) a associação (termo genérico) e sua face específica e especialmente protegida da Organização Religiosa pode perfeitamente existir como uma prática social plena de valor, sem que dela tome conhecimento o Estado. Para dirigir-se a este, todavia, quando há necessidade de obrigar outrem a alguma prestação ou abstenção (no presumível interesse de seus associados/membros), deverá conformar-se ao Registro que lhes conferirá personalidade jurídica e capacidade plena inclusive para figurar nos pólos ativo e passivo de lides judiciais ou administrativas. Caso contrário, os associados poderão emitir procuração para seus líderes ou formar litisconsório para litigarem conjuntamente, mas em nome próprio.

Carta Diaconal (nossa Declaração de Princípios)

Carta Diaconal


Somos uma comunidade cristã de comunhão e serviço.

Nossa missão é conhecer e servir a Deus e servir ao nosso próximo.

Entendemos que Igreja (com "i" maiúsculo) é a Comunidade de todos os crentes reunidos no Corpo de Cristo, sem depender de prédio, clero, denominação ou tempo. A Igreja é a Família de Deus, Ele é nosso Pai e somos todos irmãos. E é daí que temos o Mandamento fundamental do cristianismo:

Amar a Deus com todas as nossas forças, toda a nossa alma e todo o nosso entendimento. E amar ao próximo como a nós mesmos e como Jesus nos ama.

A crença fundamental dos cristãos é a de que Deus nos convidou a fazer parte da família dEle. E cada um pode aceitar ou recusar esse convite. Mas quem aceitou esse convite, que foi feito pessoalmente por Jesus Cristo na cruz, deve começar a levar uma nova vida: deve lembrar sempre de que agora somos da Família de Deus. Ou seja, precisamos tratar Deus como Nosso Pai, respeitá-Lo e amá-Lo; e devemos amar ao nosso próximo como nossos próprios irmãos.

Além disso, ser filho ou filha de Deus é ser um verdadeiro príncipe ou uma verdadeira princesa do Reino de Deus. Temos, então, de lembrar a todo momento que tudo o que fazemos é para ajudar a construir o Reino do Nosso Pai, esse Reino que já foi inaugurado por Jesus e que um dia será plenamente instalado na Terra.

Ou seja, não são as preocupações menores dessa vida passageira que devem ter a maior parte da nossa atenção. Pelo contrário, temos de manter nosso foco sempre no Reino de Deus, que em breve será completamente instalado.

Também não é justo um príncipe ou uma princesa andarem sempre sujos. A Bíblia nos ensina que nós temos de evitar a sujeira espiritual, que é o pecado. Devemos procurar andar sempre limpos de toda impureza espiritual, ou seja, devemos procurar sempre fazer justiça e fazer o bem.

Em alguns momentos, mesmo tentando fazer o bem, acabamos cometendo algo ruim. Nós pecamos. Mas, quando isso acontecer, temos de lembrar que existe o perdão. Temos de pedir perdão a Deus e às pessoas que prejudicamos e temos de fazer todo o possível para desfazer o mal que causamos. E outra coisa importante: precisamos nos lembrar de perdoar sempre as pessoas que pecaram contra nós. Do contrário, se não perdoamos os outros, como podemos esperar que Deus nos perdoe?

Voltando a falar da Igreja, perguntar a uma pessoa "De qual Igreja você é?" seria o mesmo que perguntar "De qual planeta Terra você é?". Só existe uma "Igreja", porque Igreja é a família de Deus.

Cada prédio ou cada nome que vemos nas igrejas quando andamos pela rua é o lugar de reunião de um pequeno grupo local de filhos de Deus. Mas, na verdade, todas essas comunidades menores se agregam espiritualmente naquela que é "A Igreja". Por ela podemos atravessar até o próprio tempo e dizer que somos irmãos do apóstolo Paulo de Tarso, irmãos de Abraão, filhos de Adão e Eva, filhos de Noé, irmãos de Rute, a moabita, irmãos de uma criança que está orando neste momento lá do outro lado do mundo e irmãos de todos os cristãos que já existiram e que virão a existir. Fazemos parte de um mesmo Corpo e um mesmo Espírito, a Igreja, a Família de Deus.

Isso é Igreja com "I" maiúsculo. Mas se alguém quiser usar a palavra "igreja" (com "i" minúsculo) para se referir a uma comunidade, está certo: então somos sim uma comunidade local de discípulos de Cristo e de pessoas que querem conhecê-Lo. Nesse sentido, sim, somos uma igreja.

Mas cada igreja, cada comunidade local, tem seu jeito de fazer as coisas, tem seu jeito de as pessoas se reunirem. Por exemplo, existem igrejas em que as pessoas rezam em chinês; existem igrejas em que as pessoas oram de pé, existem igrejas em que as mulheres se cobrem com véu... Mas em todas as igrejas podemos encontrar filhos de Deus. Não são os detalhes, como idioma ou o fato de rezar com olhos abertos ou fechados que nos fazem mais ou menos filhos de Deus. O que os profetas e Jesus nos ensinaram é que importa o que está por dentro de nós.

Então qual é o "jeito" da nossa igreja? Bom, aqui vão alguns detalhes dessa nossa comunidade:

Nossa missão é conhecer e servir a Deus e servir ao próximo. A Bíblia usa a palavra "diácono" para se referir às pessoas que servem às outras. Essa é a nossa intenção: servir.

Não nos preocupamos em ter um templo ou mesmo uma hierarquia, com clero, padres, pastores, presbíteros e outros. Respeitamos as igrejas que têm isso, mas esses detalhes não são uma preocupação da nossa comunidade.

Qualquer pessoa movida de reta intenção e consciência pode achegar-se à nossa comunidade e qualquer pessoa pode ser servida pela nossa comunidade, dentro de nossas possibilidades. Só pedimos que não desrespeitem a fé e o culto cristãos e nem desrespeitem às outras pessoas.

Não temos a preocupação de registrar os membros da comunidade e entendemos que os servos, ou "diáconos", que são as pessoas mais engajadas em fazer a comunidade funcionar e em servir, são os membros que precisam tomar algumas decisões, quando essas forem necessárias, para ajudar a comunidade. Essas decisões devem, a princípio, ser tomadas considerando as necessidades de todo mundo, a justiça divina, as instruções da Bíblia, devem ser tomadas somente depois de orarmos pedindo a orientação de Deus e devem ser tomadas de preferência por unanimidade entre os servos.

Aceitamos a importância de estudar as Escrituras Sagradas, a Bíblia, e acreditamos no sacerdócio comum de todos os crentes. Assim, todos os cristãos são chamados ao sacerdócio e podem licitamente pregar, abençoar, orar, oferecer a Ceia, ministrar o Batismo, ministrar e testemunhar o Matrimônio, aconselhar e fazer tudo o mais que for lícito, justo e bom aos olhos de Deus. O crente em comunhão com o Espírito Santo é sacerdote pleno, independentemente de ter recebido imposição de mãos humanas ou ordenação cerimonial. Não cremos que o Espírito Santo seja derramado sobre os fiéis de maneira humanamente limitada.

Entendemos que Deus é a única autoridade verdadeira em todo o Universo. Ele é o pleno merecedor de nosso amor e o único digno de adoração. Nosso compromisso é deixar de fazer a nossa vontade. Pedimos que Deus nos faça andar no caminho que Ele escolheu para nós e que não façamos a nossa vontade, mas a dEle.

Do nosso ponto de vista, a Reforma Protestante foi um acontecimento histórico de grande importância e que trouxe bons conselhos, como o interesse pela tradução e estudo da Bíblia.

Por isso, não temos intenção de fazer uma declaração detalhada de fé, dizendo aquilo em que as pessoas precisam acreditar para fazerem parte da nossa igreja.

Em vez disso, somente dizemos que acreditamos no Deus único e verdadeiro, Criador dos Céus e da Terra, que por Si mesmo proveu a salvação da humanidade na figura de Seu filho Jesus Cristo e que revela a Sua palavra por meio dos profetas, que registraram a Palavra de Deus na Bíblia.

Os demais detalhes são considerados pontos a serem debatidos e estudados com base na Bíblia e devem ser defendidos com argumentos. Não é nossa intenção tolher esses estudos definindo, previamente, um corpo doutrinário ao qual todos aderem automaticamente quando de suas membresias, mesmo porque nos parece que isso representaria ir na contramão de algumas das conquistas mais notáveis da Reforma.
Por fim, a nossa igreja é um grupo de cristãos em comunhão com a Igreja inteira. E pode ser formada por grupos locais ou comunidades menores.

Seja bem-vindo e permita-nos lavar os seus pés.

        A Paz do Senhor esteja conosco!

                                                         Os irmãos servos