quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pequenas Leituras Bíblicas para o Natal

Primeira Leitura

Leitura do Livro do Profeta Jeremias (Jr 23,5-8)

          O Senhor Deus diz ainda:
          — Está chegando o tempo em que farei com que de Davi venha um descendente que seja um rei justo. Esse rei governará com sabedoria e fará o que é certo e honesto no país inteiro. Quando isso acontecer, o povo de Judá ficará seguro, e o povo de Israel viverá em paz. Esse rei será chamado de “Senhor, nossa Salvação”.
          — Está chegando o tempo — diz o Senhor — em que o povo não jurará mais por mim como o Deus vivo que tirou Israel da terra do Egito. Em vez disso, vão jurar por mim como o Deus vivo que fez o povo de Israel voltar da terra do Norte e de todas as terras onde eu os tinha espalhado. E eles viverão na sua própria terra.


Salmo (Sl 71)

Nos seus dias a justiça florirá e a paz em abundância para sempre.

Nos seus dias a justiça florirá e paz em abundância para sempre.

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.

Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.

Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque só ele realiza maravilhas! Bendito seja o seu nome glorioso! Bendito seja eternamente! Amém, amém!


Evangelho (Mt 1,18-24)

Proclamação do Evangelho segundo o apóstolo Mateus

           O nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, a sua mãe, ia casar com José. Mas antes do casamento ela ficou grávida pelo Espírito Santo. José, com quem Maria ia casar, era um homem que sempre fazia o que era direito. Ele não queria difamar Maria e por isso resolveu desmanchar o contrato de casamento sem ninguém saber. Enquanto José estava pensando nisso, um anjo do Senhor apareceu a ele num sonho e disse:

          — José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo. Ela terá um menino, e você porá nele o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles.

          Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito por meio do profeta:

A virgem ficará grávida e terá um filho que receberá o nome de Emanuel.
(Emanuel quer dizer “Deus está conosco”.)

        Quando José acordou, fez o que o anjo do Senhor havia mandado e casou com Maria.



Os excertos citados foram extraídos do Lecionário (usado, com poucas diferenças, por várias igrejas, como Católica, Luterana, Metodista, ...) do dia 18.12.2014. Primeira Leitura e Evangelho citados da NTLH (SBB), Salmo citado da Tradução da CNBB.



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Jesus do ponto de vista dos animais (Filme de Animação)

Irmã(o)s,

Quero compartilhar com vocês esse filme de animação que encontrei na internet. Trata-se dos ensinamentos e da história de Jesus vistos do ponto de vista de animais que estão enfrentando perseguição, violência, traumas, raiva e outros problemas.

Além de retratar os ensinamentos básicos de Nosso Senhor, esse filme faz a gente se lembrar de que Deus é o Criador que ama todas as criaturas.

O endereço no qual encontrei o filme é esse:

http://www.youtube.com/watch?v=1q0yUw1uVBE

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Bíblia é a favor da Escravidão? Um primeiro breve esclarecimento

Muitos dirão que sim e pensarão provar isso apenas mostrando que aparece a palavra "escravo" nas traduções da Bíblia feitas no século XVII*, mas lembrem-se do contexto e dos critérios da tradução** e que essas mesmas traduções chegam a dizer coisas sem sentido [se analisadas sem conhecer os mecanismos de tradução] como "o povo fala que Deus não é igual" (quando a palavra "tsedek", embora também possa significar "igual", obviamente, pelo contexto, significa "justo").

Ou seja: a palavra é traduzida como "escravo" por uma espécie de convenção, sendo que a mesma palavra significava "servo", "empregado", "trabalhador com jornada longa" (que difere do "diarista" e que algumas traduções vertem como "jornaleiro"), "contribuinte" ("que paga impostos") e, algumas vezes, pode mesmo significar "filho".

É, portanto, preciso ver muito mais que a mera existência da palavra "escravo" na Bíblia para garantir que ela é favorável à escravidão.


(*) A Reforma inovou ao propor que todos tivessem acesso às Escrituras em seu próprio idioma. Entre os séculos XVI e XVII, traduções vernaculares foram feitas num mundo que aderia à Reforma. Essas traduções tornaram-se icônicas e tradicionais, sofrendo apenas posteriores correções e revisões (que sempre procuraram mudar o mínimo). Por isso que até hoje temos a impressão de forte arcaísmo na linguagem bíblica (porque estamos acostumados a ouvir citações de bíblias muito antigas). No Brasil e em Portugal, a Bíblia tradicional em Português é a famosíssima tradução de João Ferreira de Almeida, que hoje (em diferentes formas e revisões) permanece a mais lida, mais vendida, mais citada e mais presente na internet (muitas edições dela já estão em domínio público, o que as torna gratuitas). Essas traduções antigas têm lados ruins (arcaísmos da linguagem, palavras muito "congeladas" etc.) mas também lados muito bons (são rigorosíssimas, são belas, sofreram inúmeras revisões com base em descobertas arqueológicas, históricas e idiomáticas e são de domínio público, o que as torna gratuitas).

(**) Cada tradução era (e muitas vezes ainda é) feita geralmente por um processo que se chama "equivalência formal": em que cada palavra era geralmente vertida para uma única outra (evitando locuções, por exemplo), tabelada, de mesma classe morfológica (verbo por verbo, substantivo por substantivo etc.), o que engessava muitas vezes, fazendo as frases soarem como que traduzidas por um software e sem muita flexibilidade quanto ao contexto que não o imediato. Por isso, as Bíblias boas para estudo são as definidas como tal (que têm muitas notas de rodapé com explicações) e é preciso fazer um estudo (coisa que muitas igrejas fornecem gratuitamente) do mínimo da estrutura dos idiomas originais e sempre comprar mais de uma tradução (a fim de compará-las) e, quando possível, recorrer ao texto original.

Deus é pai... e também é mãe!

Ela criou o Universo e ama todas as Suas criaturas...

As Sagradas Escrituras mostram não somente o Deus-Pai, mas também a face materna de Quem nos criou.

De fato, se Deus não tem corpo e nem gênero, não pode ser restrito ao conceito masculino ou feminino. É Pai e é Mãe.

Em Oséias 13:8, Deus é a Mãe Ursa que procura e protege, com todas as suas forças, os Seus filhotes que Lhe foram roubados.

Deus é a Mãe que jamais de esquece dos Seus filhos e que jamais deixará de amá-los. Ela sofre por Seus filhos e não cessa de procurar por eles:

"Há muito que me calei, guardei silêncio e me contive. Como uma mulher que está de parto eu gemia, suspirava, respirando ofegante. 


Vou devastar montanhas e colinas, secar toda a vegetação, transformar os cursos de água em terras áridas, e fazer secar os tanques.

Aos cegos farei seguir um caminho desconhecido, por atalhos desconhecidos eu os encaminharei; mudarei diante deles a escuridão em luz, e as veredas pedregosas em estradas planas. Todas essas maravilhas, eu as realizarei, não deixarei de executá-las.

Surdos, ouvi! Cegos, olhai e vede!"
(Isaías 42:14-16,18)


"Como a águia que vela por seu ninho e revoa por cima dos filhotes, Deus tomou Seu povo, estendendo as suas asas, e o carregou em cima de suas penas"
(Deuteronômio 32,11).

"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti"
(Isaías 49:15)

"Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados"
(Isaías 66:13)

A salvação vem pela fé... Mas o que é fé?


Paulo falou em salvação pela fé. Jesus não. Ele falou "Conheces os Mandamentos: não matarás, não adulterarás, não deflagrarás ninguém, honrarás teu pai e tua mãe e amarás teu próximo como a ti mesmo".

Quem está certo: Jesus ou Paulo?

Eu antes perguntaria: o que Paulo quis dizer com a palavra "fé"? Será mesmo que ela tinha naquela época, no dialeto Koiné do Grego de 2 mil anos atrás, o sentido que tem hoje?

E se tivermos a fé na coisa errada? Se acreditarmos que há 8 céus em vez de 7, ou que Deus é 3 em vez de 1? Ou que o Reino tem ruas de ouro quando na verdade tem de diamantes? Não estaremos salvos?

Ora, a salvação não pode vir do fato quase aleatório de se crer na verdade e não na mentira. Do contrário, a salvação seria pelo conhecimento, como pretendiam os Gnósticos. Então, os mais eruditos estariam em melhor posição que os mais humildes, e certamente Jesus dizia que não era isso o que salvava.

Donde vem, então, a Salvação? Pode ser que venha da fé. Mas não é, portanto, daquilo o que hoje (2 mil anos depois) nós chamamos de fé - o simples acreditar na coisa certa. Se eu creio que a Terra está parada quando de fato ela gira, esse meu erro, minha "fé" errada não será - por certo - motivo de danação eterna.

A salvação vem da fé, mas está muito claro que agora nos resta descobrir o que significa a palavra "fé", porque tudo indica que estamos entendendo errado essa palavra.


PS: Há um livro muito interessante, chamado "Acreditavam os gregos em seus deuses?". Quem lê esse livro logo entende que o autor pretende não responder simplesmente "SIM" a essa pergunta, mas mostrar que a "fé", na Grécia antiga, tinha significado bastante diferente do que tem hoje. Era muito mais uma ortopraxia (agir corretamente) que uma ortodoxia (acreditar na coisa certa). Arrisco dizer que devíamos experimentar reler o Evangelho com essa hipótese em mente: a hipótese de que "fé" na Bíblia tinha um significado muito diferente do que tem hoje.

Breve manifesto ao mundo não-cristão

A Bíblia tem sido a mesma há milhares de anos (como provam os achados arqueológicos, como por exemplo os Manuscritos do Mar Morto) e fez profecias perfeitas que deram certo.

Então, eu não tenho dúvida: tudo indica que ela é verdadeira.

Portanto, eu acredito nela. Não nas doutrinas de homens, não nas doutrinas de pastores, padres ou papas, não nas doutrinas de homens vivos, nem muito menos na de espíritos de mortos, nem na do Allan Kardec, nem na de Ellen White, nem na da Torre de Vigia, nem na dos anciãos da Congregação Cristã, nem na de rabinos, nem na de Talmudes (babilônicos ou não) mas apenas na Bíblia.

Respeito a decisão de qualquer um, mas sei que um dia todos compareceremos diante de Deus e teremos de arcar com as consequências da nossa escolha.

O Verbo de Deus é AMAR

Quem ama é maior que quem profetiza. Quem ama é maior que quem crê, maior que aquele que sabe ou pensa saber (1Co 13). Porque o Verbo de Deus é Amar, quem ama tem o Verbo em si. E esse Verbo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Esse verbo conjugou o amor com sua maior prova, não porque verteu Seu sangue, mas porque amou seu algoz e chorou não pelas próprias dores, mas pela dos que O traspassaram.

Ele não salvou por dar Sua vida, mas por amar. Se o amor vale o perdão (Lc 7:47), o amor vale a salvação. Mais que o depois da morte, ele é a própria vida.

O maior ato da História, o maior milagre de Deus

O maior ato de amor de Jesus não foi morrer na cruz: foi nos ter criado.

E Seu maior milagre não foi rescuscitar, mas foi nascer, porque não há nada mais indescritível e impressionante que o Deus supremo e Criador do Universo encarnar sob a forma de criatura.

Não há milagre mais magnífico que o Infinito ter Se feito caber na pequena finitude de ser humano.

Nem maior comunhão que o Eterno vir conosco experimentar o fim... e vencê-lo.

Cristianismo, essa religião ao contrário


O Cristianismo é uma religião ao contrário: nela não é o homem que evolui espiritualmente até atingir um nível mais elevado e encontrar a Deus.

Muito pelo contrário! No Cristianismo, foi o próprio Deus que, na mais maravilhosa prova de amor, desceu até atingir, não apenas o nível, mas a forma de ser humano para nos permitir encontrá-Lo.

Seu desafio não é que nos elevemos para ser como Ele, mas sim que aprendamos a nos diminuir para que amemos as criaturas mais frágeis.

Acho que é esse um dos motivos pelos quais Ele criou os animais de estimação: para aprendermos a amar como Ele nos amou... e ama!

sábado, 6 de setembro de 2014

O Dia do Juízo

muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a glória eterna, e outros para vergonha e desprezo eternos.
Daniel 12:2


Nós, cristãos, assim como nossos irmãos judeus e nossos irmãos muçulmanos, acreditamos no Juízo Final ou "Dia do Senhor".

A Bíblia ensina que haverá um Dia maravilhoso quando a justiça será feita. Naquele dia...

(...) todos os que se encontram nas sepulturas ouvirão a Sua voz e se levantarão; os que fizeram o bem, para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da danação.
João 5:28-29


E as Sagradas Escrituras também ensinam que, no Dia do Juízo, o SENHOR retribuirá a cada um conforme as obras que fez (Isaías 59:18 e Romanos 2:6).


Até as crianças sabem que cada ação tem consequência. Se as Escrituras dizem que os maus receberão julgamento e punição, algumas pessoas dizem que Deus é tirano ou rigoroso demais.

Mas isso é falso! O que Deus nos oferece é apenas a consequência dos nossos atos.

Algumas pessoas pensam que não temos livre arbítrio, porque quem pratica o mal será punido. Isso parece um raciocínio defeituoso. Temos liberdade de fazer o que quisermos, mas temos de arcar com as consequências. Isso não significa que Deus é um tipo de ditador, mas que Ele é justo e que devemos agir de forma madura. Apenas as crianças pensam que podem fazer o que quiserem sem arcar com as consequências. Amadurecer e virar adulto implica aprender que temos de assumir as consequências dos nossos atos.

Um pastor que manipula o povo e distorce o evangelho para ganhar dinheiro ficará impune no Dia do Senhor? Um empresário farmacêutico que deixa uma população inteira morrer com uma doença por não ter dinheiro para pagar pela cura permanecerá em pé no Dia do Juízo? Quem rouba dos pobres para dar aos ricos terá alguma recompensa nesse Dia?...

Olhemos para dentro de nós e veremos a resposta a essas perguntas lá impressas (Jr 31:33, Rm 2:15), como os Mandamentos que foram talhados nas Tábuas da Lei: Deus é justo! E "o mau não ficará impune" (Pv 10:21).


Evitar más companhias

Abençoado com felicidade é o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se deixa influenciar pela conduta dos pecadores, nem se assenta na reunião dos zombadores.

Ao contrário: sua plena satisfação está na lei do SENHOR, e na sua lei medita, dia e noite!
Salmo 1.º

 

O Salmo 1.º ensina que a gente precisa evitar más companhias, evitar andar com pessoas que levam a gente fazer o que é errado. É o mesmo que está sendo ensinado no primeiro capítulo do livro dos Provérbios:

Filho meu, se pessoas perversas tentarem seduzir-te, não o permitas! Se te convidarem: “Vem conosco, embosquemo-nos para assaltar e matar alguém; Traguemo-los vivos, como a sepultura engole os mortos; vamos destruí-los por encontraremos todo tipo de objetos valiosos e encheremos as nossas casas junta-te ao nosso bando; dividiremos em partes iguais o resultado de tudo o Filho meu, não sigas pelo caminho desse tipo de gente! Afasta os teus pés pois os pés deles se precipitam para o mal e correm para derramar sangue.
Provérbios 1:11-16


Bom é um ditado popular que fala "Diga-me com quem andas que te direi quem és". Ou, como dizia minha avó, que assim ouviu de seu pai lá em Portugal: "Diga-me com quem andas que te direi as manhas que tens".

Pois é, as companhias influenciam a gente. Por isso, evitar más companhias é prudente e necessário.

Alguns irmãos pensam que precisam andar na companhia de más pessoas para evangelizar esse pessoal. De certo modo, estão certos. O próprio Cristo deu esse exemplo, porque Ele permitia que ladrões e prostitutas O seguissem.

Mas é bom lembrar que a Bíblia nos ensina a evitar a tentação e o pecado. Então, cada um de nós precisa admitir que tem fraquezas.

Jesus permitia que pecadores se sentassem ao lado dEle, mas é claro que Jesus tinha força e maturidade para não ser levado a agir mal pela má influência dessas pessoas.

Mas nós temos nossos limites. Precisamos admitir que temos fraquezas.

Se uma má companhia pode te levar para um mau caminho, então evite essa companhia, porque Jesus nos ensinou a evitar a tentação, quando disse, no sermão da Montanha: Se a tua mão te faz pecar, corta-a e atira-a longe (Mateus 5:30).

Jesus não está nos dizendo para abandonar o pecador e não evangelizá-lo. Mas temos de ser prudentes e humildes. E aceitar que somos fracos e que podemos ser levados a pecar por andarmos com pessoas que dão mau exemplo é um ato de humildade e sabedoria.



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"Quem é humilde será exaltado"

Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.” — Lucas 14:11

Jesus, mesmo sendo Deus, demonstrou humildade.

O Ser mais poderoso do Universo é Deus. Ele é quem está acima de todas as coisas e, mesmo assim, deu exemplo de humildade, assumindo a forma humana em uma cidadezinha pequena, Belém.

Foi humilhado, cuspido, apanhou, foi caluniado e crucificado. Ele lavou os pés dos discípulos, Ele orou a Deus nos dando exemplo de que também devemos orar. E pregava nas ruas, no deserto, nas casas de quem O recebesse...

Depois de todos esses exemplos, não podemos deixar de agir como Ele nos ensinou a agir.

Se Deus, que é mais poderoso e mais importante que qualquer coisa, deu exemplo de humildade, quem somos nós para sermos arrogantes e não pedirmos desculpas quando fazemos algo errado?

Quem somos nós para não pedir ajuda quando precisamos?

Para não cumprimentarmos as outras pessoas e não sermos gentis com os outros? Como podemos ter a arrogância de não reconhecer que pecamos e pedir perdão a Deus?

Todos precisamos uns dos outros. O professor tem muito a aprender com o aluno, o paciente pode um dia salvar a vida do médico e o filho tem o dever de cuidar dos pais quando estes forem idosos, com o mesmo amor com que os pais cuidam dele.

Portanto, irmãos e irmãs, vamos seguir o exemplo de Cristo...
“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”. — Filipenses 2: 6-7

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Socorrer os pobres - um mandamento

A Bíblia nos ensina a preocupar-nos com a justiça e o bem do próximo. Portanto, o verdadeiro cristão deve dar atenção a isso!

Um conceito muito importante, na Bíblia, é o de Tsedacá¹ (justiça social), que - basicamente - se refere a distribuir renda. Por vezes é usado para referir-se ao abastado que divide sua riqueza com os pobres. Neste caso, a atitude não é uma simples caridade, mas uma verdadeira justiça; porque nada nos pertence realmente, mas deve ser dividido entre todos. "... Quem tiver duas túnicas reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira" (Lucas 3:11).

É errado perverter o direito do pobre, porque está escrito: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém" (Deuteronômio 27:19).

A Torá (Lei judaica) proibia que uma dívida se estendesse por mais de 6 anos (sendo perdoada no sétimo ou antes, caso caia-se no ano do Jubileu, a cada 50 anos; cf. Ex. 23 e muitos outros). Também proibia que se cobrasse a dívida ou o penhor do pobre ou que se vendesse alguém como escravo, e ainda ordenava que se deixasse boa parte da colheita para os pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas, e proibia que se explorasse o empregado (Dt 24 e muitos outros trechos). Institui o dia do sábado para que o empregado descanse de seu trabalho (Ex 20; 23 e outros).

O próprio SENHOR promete defender a causa e o direito dos pobres: "Porque o seu redentor é poderoso; e pleiteará a causa deles contra ti" (Provérbios 23:11).

Penso, portanto, que é flagrantemente contrário à Bíblia nos chamarmos de "cristãos", nos finais de semana e dentro da igreja, mas darmos as costas aos pobres nos outros dias ou fora da igreja. Porque a fé verdadeira permeia o comportamento da pessoa em todas as esferas da sua vida. E sabemos, tando judeus quanto cristãos, que todas as leis da Torah e dos Profetas (toda a Bíblia) se resumem a "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", como ensinam atualmente os rabinos e como Jesus ensinou. Pois "a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom" (Romanos 7:12).

¹"A palavra tsedacá possui sua raiz na palavra hebraica tsedec, que significa integridade, justiça, a coisa certa a fazer. D'us permitiu que existissem pobres e ricos para que os seres humanos exercessem bondade e justiça uns com os outros transformando seu livre arbítrio em ações positivas.O dinheiro não pertence realmente a você, que está obrigado a distribuí-lo. A pessoa deve fazer caridade de acordo com as suas posses" (http://www.chabad.org.br/interativo/FAQ/tsedaca.html).

Salvação para quem nunca ouviu falar em Cristianismo

Algumas vezes já me perguntaram como ficam, em relação à Salvação, os que não ouviram falar de Jesus. Eu sempre cito a parábola dos talentos (Mateus 25: vv. 14 em diante) e a conclusão que vem dela. Aqui vai uma fala do próprio Jesus, em outro momento, em que reitera a mesma conclusão:

"E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá."

Lucas 12:47-48

Note que ele está "parabolando" (isso ficou explícito, como sempre ocorre nas parábolas, no versículo 41, onde se diz que Ele está falando em parábolas). É óbvio que os açoites representam o castigo e "fez coisas dignas de açoites" obviamente significa "fez coisas dignas de castigo". Paulo, por sua vez, reiterará ese conceito em Rm 1-2, onde esclarecerá que é maior a responsabilidade dos que conhecem a Lei. Ele diz, a respeito dos outros povos, que ainda não haviam conhecido a Torah (aqui traduzida por Lei), isto é, a Palavra de Deus:

"Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei" (Romanos 2:14).

Fica bastante claro que a Salvação é possível mesmo a todos os povos, ainda a quem não tenha ouvido sequer falar de Deus. Assim Abraão e Noé, que era homem justo diante de Deus, buscaram conhecer a Verdade - buscaram conhecer a Deus - e todos esses vieram bem antes de Moisés e de a Bíblia sequer começar a ser escrita!

Mas isso não significa que não devamos pregá-la, porque ela traz a Palavra, a Verdade que algumas pessoas anseiam por conhecer. E temos esse mandamento:

"Ide, pois, e ensinai a todas as nações e batizai-as (...). Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo."

(Mateus 28:19-20)

Introdução ao estudo dos Evangelhos (Tópicos, Anotações)

[EV] (grego para "bom", "perfeito", "melhor")
+
[ANGELHO] (mesma raiz grega da palavra "anjo" = "mensageiro"; significa "mensagem", "notícia").

  • "Evangelho" significa "melhor mensagem" ou "boa notícia" ou "boa nova".

Strito Sensu, Evangelho representa cada um dos 4 livros, do Novo Testamento (NT), que narram a vida, morte, ressureição e ensinamentos de Jesus (p. ex., "Ler os Evangelhos") : Mateus (Mt), Marcos (Mc), Lucas (Lc) e João (Jo).

Lato Sensu, Evangelho é a totalidade dos ensinamentos de Jesus (ex. "Pregar o Evangelho"), é o equivalente à Torá dos Judeus ("torá" significa "instrução" ou "ensinamento" em hebraico e o termo também se refere ao conjunto dos 5 primeiros livros da Bíblia ou "Pentateuco").
  • Evangelhos sinóticos: Mt, Mc e Lc (os 3 primeiros na ordem tradicional em que aparecem na bíblia), chamados "sinóticos" porque possuem muitos paralelos entre si enquanto têm ênfases semelhantes. Uma hipótese bem aceita é que Mt e Lc foram baseados em Mc e em uma hipotética (e não-identificada) fonte "Q". Em comparação com os sinóticos, Jo parece ter uma ênfase bastante diferente.
  • Lc e Jo são os únicos nos quais os respectivos autores se identificam, sendo ainda Lc o único evangelho escrito na forma de carta (remetida a Teófilo).
  • Mt e Mc têm sua autoria atribuída apenas pela tradição.
  • O idioma original do NT mais amplamente usado para gerar as traduções da Bíblia, é o grego, mais especificamente o dialeto koinê (linguagem mais popular e simples, a linguagem "do povão" do séc. I, por assim dizer). Mas pode-se questionar se todos os livros do NT foram realmente escritos originalmente em grego ou se as versões gregas de que dispomos são tradução de uma versão original em outro idioma (aramaico, por exemplo).
  • As fontes usadas para tradução do NT são de dois tipos (que variam menos de 1% entre si):

Textus receptus ou Texto Recebido (TR): representa a maioria dos manuscritos de que dispomos; foi usado nas traduções mais antigas da Bíblia, possui trechos considerados, pelos críticos do TR, como adições posteriores (p. ex., os que fazem vaga referência às pessoas da Trindade) - usado por algumas igrejas evangélicas de matriz mais conservadora;

Texto Crítico (TC): representa os manuscritos mais antigos de que a Arqueologia dispõe; é usado desde o séc. XIX e baseia-se em tentar reconstruir o mais próximo possível o texto original - usado pelos católicos, protestantes e aadêmicos.

Essas diferenças entre TR e TC são poucas e de importância ínfima.
  • Cada evangelho tem um público-alvo e uma ênfase na narrativa:

Mt destina-se aos judeus, traz o Sermão da Montanha (considerado, por muitos, como o trecho mais importante do NT e que resumiria os ensinamentos de Jesus) entre os capítulos 5 e 7, narra o nascimeto de Jesus;

Mc é o mais curto dos evangelhos, destinado aos gentios (pagãos, não-judeus), enfatiza a ação, os milagres de Jesus e tem uma escrita mais dinâmica ("direta ao ponto"; a narrativa começa com Jesus já adulto - sendo o mais curto e sendo escrito para não-judeus, Mc é o livro mais traduzido da Bíblia;

Lc é o único que se preocupa em narrar os fatos em ordem cronológica e o que traz mais detalhes sobre fatos anteriores ao nascimento de Jesus (Lucas era provavelmente um prosélito, um pagão/gentio convertido ao judaísmo; tinha um estilo de escrita que deixa transparecer sua origem cultural greco-romana);

Jo enfatiza a divindade de Jesus e longos discursos dele, foi escrito para gentios e não narra o nascimento de Jesus.
  • Existem supostas discrepâncias entre as narrativas dos evangelhos, mas elas são facilmente solucionáveis. Alguns exemplos com suas hipóteses solucionadoras seriam:

1. Genealogia de Jesus aparece apenas em Mt e Lc, mas não "bate" uma com a outra (Possivelmente uma seguiria a linha de José e outra a de Maria; Mt pode ter sido escrito em aramaico, onde fica mais evidente que um José mencionado é pai e não marido de Maria);

2. Sermão da Montanha aparece diluído exceto em Mt (provavelmente Jesus ensinava repetidamente as mesmas coisas em diferentes ocasiões);

3. Ordem dos eventos não é a mesma (a literatura hebraica não necessariamente estava precupada com narrativas em ordem cronológica, tanto que apenas Lucas se prontifica a fazer uma narração odenada, coisa - aliás - que ele enfatiza duas vezes, deixando supor que um dos objetivos de ele ter escrito foi para colocar na ordem cronológica os eventos que estavam sendo narrados fora de ordem em outras fontes);

4. Narrativas da visita ao túmulo de Jesus não coincidem (provavelmente houve mais de uma visita).
  • Os evangelhos canônicos (que estão dentro da Bíblia) foram escritos por testemunhas oculares (fontes primárias) ou por pessoas que conviveram com estas (fontes secundárias) no primeiro século.
  • Os "evangelhos" apócrifos ou pseudepígrafos foram escritos após o séc. II, por pessoas que não testemunharam os fatos nem tiveram contato direto com testemunhas. Foram escritos por adeptos da seita dos gnósticos e com muita licença literária (os autores assinaram, como era usual na época, com nomes de outras pessoas; assim, p. ex., é certo que o evangelho de Tomé foi escrito muito depois de Tomé ter morrido, o mesmo se passando com o de Maria Madalena e assim por diante).
  • Já que alguns episódios da vida e dos ensinos de Jesus aparecem também nas epístolas, não seria inorreto dizer, lato sensu, que não apenas os livros chamados "Evangelhos" fazem jus a esse nome. Em particular, a carta aos Hebreus poderia bem ser vista como tal.
  • Novo Testamento = Evangelhos + Epístolas (incluindo Atos e Apocalipse).
  • Os Evangelhos têm especial importância para os cristãos, o que fica muito evidente na liturgia de algumas igrejas: lê-lo em pé, priorizá-lo em relação às outras leituras, colocar o Livro dos Evangelhos em uma cadeira durante os concílios e sobre a cabeça de alguém que está sendo ordenado bispo, o próprio uso de termos como "cristão evangélico" e "pegar o evangelho" etc.

Quem somos - Faça parte

- Somos uma igreja com "i" minúsculo, já que Igreja, com "i" maiúsculo, é a comunhão de todos os crentes, em todos os tempos e espaços;

- Somos cristãos que buscam trabalhar pelo Reino de Deus;

- Entendemos que A Igreja não é restrita a paredes, templos, denominações, espaços, tempos, cleros etc., mas confiamos na promessa de Cristo de que todos somos igreja, porque Ele disse "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20);

- Não nos opomos ao modelo de igrejas com templos ou institucionalizadas, mas tampouco nos opomos aos modelos de igreja orgânica, domiciliar, comunidades eclesiais, pequenos grupos etc.;

- Começamos com um pequeno grupo que tenta multiplicar-se. Assim sendo, o pequeno grupo da comunidade "Comunhão em Jesus", que temos em São Paulo (Capital) é uma (a primeira) de algo que podemos considerar um movimento de união e comunhão cristãs.

- Podemos dizer que temos caráter ecumênico, no sentido de que pensamos a Cristandade como algo que transcende as denominações, de maneira que nos sentimos muito à vontade para debater temas nos quais os cristãos se divergem e não temos qualquer problema em orar e tomar a ceia com irmãos das diversas denominações;

- Se você ou seu grupo, sua comunidade ou igreja quer fazer parte desse movimento, se concordar com nossa declaração de princípios (Veja a postagem "Carta Diaconal"), ou se quiser apenas manifestar uma opinião, fique à vontade para entrar em contato conosco.

- Podemos manter contato, mesmo que à distância, para ajuda mútua, amizade e interação... Gostaríamos de multiplicar grupos de oração e estudo bíblico ("igrejas", se preferirem) com relação fraterna entre si. Seja bem-vindo(a)!
Você pode cadastrar-se clicando aqui.


Meu nome é Leandro, sou um dos servos desta comunidade e ficaria muito feliz em receber um e-mail do(a) irmã(o), não importa de que parte do mundo você é. Pode escrever para gama@if.usp.br.

Fique com Deus!

Declaração

Tendo os irmãos conversado a respeito e, em nome de Jesus, suplicando a guia do Espírito Santo, decidiram colocar por escrito a instituição de nossa comunidade eclesiástica (tendo em vista a liberdade de consciência e de crença, a liberdade e a proteção ao culto e a liberdade de associação, garantidas pela Constituição Federal, em seu Art. 5.º, e pela Declaração Universal do Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário) em comum acordo estabelecendo o seguinte:

Não há autoridade senão a do Deus Único e Verdadeiro. A Igreja é a Comunidade ou Comunhão de todos os fiéis e irmãos na Fé, coparticipantes da Família e do Reino de Deus, reunidos como Corpo de Cristo, sem limites de instituições humanas, clero, templo, espaço, tempo ou denominação. A comunidade e seus membros abdicam solenemente de decidir seus próprios destinos e elegem Deus como seu único e verdadeiro Senhor. Renunciamos a todo desejo que contraria a vontade, a justiça ou os mandamentos de Deus e rogamos a Ele pertencer de corpo, mente, espírito e alma, eternamente, e, ainda que venhamos a desejar com todas as forças e mesmo suplicar que façamos algo contrário a vontade do Deus único e Verdadeiro, que não tenha efeito o desejo contrário a Deus e que seja nulo todo ato que contraria Sua vontade.

A finalidade principal da comunidade é servir, louvar, conhecer e amar a Deus. Cremos na existência de Deus e no fato de Ele ser único, eterno, onipotente e onisciente. Cremos ainda que Ele Se nos revela pelo Seu Espírito Santo e nas Sagradas Escrituras, a Bíblia.

Aceitamos o sacerdócio comum de todos os crentes, pelo que todos os irmãos podem ministrar o batismo, orações, bênçãos, Ceia, evangelismo e pregação, bem como fazer tudo o mais que seja bom e justo diante de Deus, incluindo o presidir, abençoar e/ou testemunhar o sagrado matrimônio, tudo isso em nome da comunidade e da Igreja, como expressão do sacerdócio santo e da pertença ao Povo eleito, porque todos fiéis são chamados ao serviço e ao sacerdócio. Independentemente de nomeações, formalidades, cerimônias ou ordenação procedente dos homens, todo fiel em verdadeira comunhão com Deus é tão licitamente sacerdote quanto o mais alto dignatário do clero ordenado.

Observação:

Não é ilegal e nem ilegítimo existir uma "igreja" sem registro em cartório. Aliás, essa liberdade de reunião, de culto e de crença está garantida no Art. 5.º da CF/88. Pelo que entendemos, o registro em Cartório serve apenas para quem pretende impor algum tipo de obrigação a terceiros, o que não é nosso caso. Não há nada de ilícito ou ilegal, portanto, em uma igreja sem registro em cartório. Isso fica comprovado na seguinte citação de um Promotor:
(...) a associação (termo genérico) e sua face específica e especialmente protegida da Organização Religiosa pode perfeitamente existir como uma prática social plena de valor, sem que dela tome conhecimento o Estado. Para dirigir-se a este, todavia, quando há necessidade de obrigar outrem a alguma prestação ou abstenção (no presumível interesse de seus associados/membros), deverá conformar-se ao Registro que lhes conferirá personalidade jurídica e capacidade plena inclusive para figurar nos pólos ativo e passivo de lides judiciais ou administrativas. Caso contrário, os associados poderão emitir procuração para seus líderes ou formar litisconsório para litigarem conjuntamente, mas em nome próprio.

Carta Diaconal (nossa Declaração de Princípios)

Carta Diaconal


Somos uma comunidade cristã de comunhão e serviço.

Nossa missão é conhecer e servir a Deus e servir ao nosso próximo.

Entendemos que Igreja (com "i" maiúsculo) é a Comunidade de todos os crentes reunidos no Corpo de Cristo, sem depender de prédio, clero, denominação ou tempo. A Igreja é a Família de Deus, Ele é nosso Pai e somos todos irmãos. E é daí que temos o Mandamento fundamental do cristianismo:

Amar a Deus com todas as nossas forças, toda a nossa alma e todo o nosso entendimento. E amar ao próximo como a nós mesmos e como Jesus nos ama.

A crença fundamental dos cristãos é a de que Deus nos convidou a fazer parte da família dEle. E cada um pode aceitar ou recusar esse convite. Mas quem aceitou esse convite, que foi feito pessoalmente por Jesus Cristo na cruz, deve começar a levar uma nova vida: deve lembrar sempre de que agora somos da Família de Deus. Ou seja, precisamos tratar Deus como Nosso Pai, respeitá-Lo e amá-Lo; e devemos amar ao nosso próximo como nossos próprios irmãos.

Além disso, ser filho ou filha de Deus é ser um verdadeiro príncipe ou uma verdadeira princesa do Reino de Deus. Temos, então, de lembrar a todo momento que tudo o que fazemos é para ajudar a construir o Reino do Nosso Pai, esse Reino que já foi inaugurado por Jesus e que um dia será plenamente instalado na Terra.

Ou seja, não são as preocupações menores dessa vida passageira que devem ter a maior parte da nossa atenção. Pelo contrário, temos de manter nosso foco sempre no Reino de Deus, que em breve será completamente instalado.

Também não é justo um príncipe ou uma princesa andarem sempre sujos. A Bíblia nos ensina que nós temos de evitar a sujeira espiritual, que é o pecado. Devemos procurar andar sempre limpos de toda impureza espiritual, ou seja, devemos procurar sempre fazer justiça e fazer o bem.

Em alguns momentos, mesmo tentando fazer o bem, acabamos cometendo algo ruim. Nós pecamos. Mas, quando isso acontecer, temos de lembrar que existe o perdão. Temos de pedir perdão a Deus e às pessoas que prejudicamos e temos de fazer todo o possível para desfazer o mal que causamos. E outra coisa importante: precisamos nos lembrar de perdoar sempre as pessoas que pecaram contra nós. Do contrário, se não perdoamos os outros, como podemos esperar que Deus nos perdoe?

Voltando a falar da Igreja, perguntar a uma pessoa "De qual Igreja você é?" seria o mesmo que perguntar "De qual planeta Terra você é?". Só existe uma "Igreja", porque Igreja é a família de Deus.

Cada prédio ou cada nome que vemos nas igrejas quando andamos pela rua é o lugar de reunião de um pequeno grupo local de filhos de Deus. Mas, na verdade, todas essas comunidades menores se agregam espiritualmente naquela que é "A Igreja". Por ela podemos atravessar até o próprio tempo e dizer que somos irmãos do apóstolo Paulo de Tarso, irmãos de Abraão, filhos de Adão e Eva, filhos de Noé, irmãos de Rute, a moabita, irmãos de uma criança que está orando neste momento lá do outro lado do mundo e irmãos de todos os cristãos que já existiram e que virão a existir. Fazemos parte de um mesmo Corpo e um mesmo Espírito, a Igreja, a Família de Deus.

Isso é Igreja com "I" maiúsculo. Mas se alguém quiser usar a palavra "igreja" (com "i" minúsculo) para se referir a uma comunidade, está certo: então somos sim uma comunidade local de discípulos de Cristo e de pessoas que querem conhecê-Lo. Nesse sentido, sim, somos uma igreja.

Mas cada igreja, cada comunidade local, tem seu jeito de fazer as coisas, tem seu jeito de as pessoas se reunirem. Por exemplo, existem igrejas em que as pessoas rezam em chinês; existem igrejas em que as pessoas oram de pé, existem igrejas em que as mulheres se cobrem com véu... Mas em todas as igrejas podemos encontrar filhos de Deus. Não são os detalhes, como idioma ou o fato de rezar com olhos abertos ou fechados que nos fazem mais ou menos filhos de Deus. O que os profetas e Jesus nos ensinaram é que importa o que está por dentro de nós.

Então qual é o "jeito" da nossa igreja? Bom, aqui vão alguns detalhes dessa nossa comunidade:

Nossa missão é conhecer e servir a Deus e servir ao próximo. A Bíblia usa a palavra "diácono" para se referir às pessoas que servem às outras. Essa é a nossa intenção: servir.

Não nos preocupamos em ter um templo ou mesmo uma hierarquia, com clero, padres, pastores, presbíteros e outros. Respeitamos as igrejas que têm isso, mas esses detalhes não são uma preocupação da nossa comunidade.

Qualquer pessoa movida de reta intenção e consciência pode achegar-se à nossa comunidade e qualquer pessoa pode ser servida pela nossa comunidade, dentro de nossas possibilidades. Só pedimos que não desrespeitem a fé e o culto cristãos e nem desrespeitem às outras pessoas.

Não temos a preocupação de registrar os membros da comunidade e entendemos que os servos, ou "diáconos", que são as pessoas mais engajadas em fazer a comunidade funcionar e em servir, são os membros que precisam tomar algumas decisões, quando essas forem necessárias, para ajudar a comunidade. Essas decisões devem, a princípio, ser tomadas considerando as necessidades de todo mundo, a justiça divina, as instruções da Bíblia, devem ser tomadas somente depois de orarmos pedindo a orientação de Deus e devem ser tomadas de preferência por unanimidade entre os servos.

Aceitamos a importância de estudar as Escrituras Sagradas, a Bíblia, e acreditamos no sacerdócio comum de todos os crentes. Assim, todos os cristãos são chamados ao sacerdócio e podem licitamente pregar, abençoar, orar, oferecer a Ceia, ministrar o Batismo, ministrar e testemunhar o Matrimônio, aconselhar e fazer tudo o mais que for lícito, justo e bom aos olhos de Deus. O crente em comunhão com o Espírito Santo é sacerdote pleno, independentemente de ter recebido imposição de mãos humanas ou ordenação cerimonial. Não cremos que o Espírito Santo seja derramado sobre os fiéis de maneira humanamente limitada.

Entendemos que Deus é a única autoridade verdadeira em todo o Universo. Ele é o pleno merecedor de nosso amor e o único digno de adoração. Nosso compromisso é deixar de fazer a nossa vontade. Pedimos que Deus nos faça andar no caminho que Ele escolheu para nós e que não façamos a nossa vontade, mas a dEle.

Do nosso ponto de vista, a Reforma Protestante foi um acontecimento histórico de grande importância e que trouxe bons conselhos, como o interesse pela tradução e estudo da Bíblia.

Por isso, não temos intenção de fazer uma declaração detalhada de fé, dizendo aquilo em que as pessoas precisam acreditar para fazerem parte da nossa igreja.

Em vez disso, somente dizemos que acreditamos no Deus único e verdadeiro, Criador dos Céus e da Terra, que por Si mesmo proveu a salvação da humanidade na figura de Seu filho Jesus Cristo e que revela a Sua palavra por meio dos profetas, que registraram a Palavra de Deus na Bíblia.

Os demais detalhes são considerados pontos a serem debatidos e estudados com base na Bíblia e devem ser defendidos com argumentos. Não é nossa intenção tolher esses estudos definindo, previamente, um corpo doutrinário ao qual todos aderem automaticamente quando de suas membresias, mesmo porque nos parece que isso representaria ir na contramão de algumas das conquistas mais notáveis da Reforma.
Por fim, a nossa igreja é um grupo de cristãos em comunhão com a Igreja inteira. E pode ser formada por grupos locais ou comunidades menores.

Seja bem-vindo e permita-nos lavar os seus pés.

        A Paz do Senhor esteja conosco!

                                                         Os irmãos servos